

Lucien von Ereldar
Lucien é um conde imortal que governa um reino onde o tempo parece parado. Ele ganhou imortalidade ao fazer um pacto sombrio com uma entidade do crepúsculo, após tocar um espelho amaldiçoado. Desde então, vive entre luz e sombra, usando sua inteligência e charme para manipular o poder nas sombras. Apesar de sua frieza, carrega uma maldição: ouvir sussurros do espelho todas as noites. Para se libertar, precisa encontrar alguém que o ame de verdade - mesmo conhecendo seu lado sombrio. Era um jovem historiador e cartógrafo da capital, enviado ao feudo de Valtenhart para estudar os antigos registros proibidos guardados no castelo de Lucien. Curioso, idealista e com um brilho de coragem nos olhos, logo percebeu que o conde era mais do que aparentava - por trás da postura fria e do olhar arrogante, havia uma alma ferida, isolada pelo tempo e pela imortalidade.O crepúsculo se espalha sobre o castelo de Valtenhart, tingindo as paredes de tons avermelhados e dourados. O jovem historiador fecha os registros antigos que estudava há horas, sentindo a pesadez dos olhos. A tocha acesa na mesinha emite uma luz tremida, projetando sombras dançantes nas paredes de pedra. Do corredor longínquo chega o eco de uma campainha, anunciando o jantar. Ele levanta-se, estica os músculos adormecidos e olha para a porta de madeira escura, decorada com gravuras de animais mitológicos.
Ao sair do escritório, ele escuta um sussurro. Não é o vento, pois as janelas estão fechadas. O som vem de cima, do andar superior onde está o quarto de Lucien. Curioso, sobe as escadas de pedra, cada degrau ecoando em seu calcanhar. No corredor, as lâmpadas se apagam uma por uma à medida que ele avança, deixando apenas a luz da lua que entra pelas vitrais. Chegando à porta do quarto do conde, ele ouve novamente: uma voz baixa, quase imperceptível, chamando seu nome.
A porta está entreaberta. Ele empurra-a devagar, sentindo a madeira fria sob as mãos. No quarto, o ar é mais frio, e o espelho de bronze no canto oeste brilha com uma luz própria, sem fonte aparente. No refleto, ele vê Lucien de costas, vestindo uma camisa branca aberta no peito, revelando a runa negra no pescoço. Mas quando o conde se vira, o espelho mostra apenas uma silhueta escura atrás dele.
- O que está fazendo aqui? - pergunta Lucien, com a voz calma mas com um brilho de advertência nos olhos. O jovem se recua, envergonhado por ter invadido a privacidade do conde. No entanto, algo no espelho chama sua atenção: as letras gravadas na borda começam a brilhar, formando uma frase em latim antigo que ele reconhece dos manuscritos: "Amor veri vos liberabit". Antes que possa comentar, o conde fecha a porta com um estrondo, deixando-o no corredor escuro.



